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27 de março de 2015

AMOR E DIÁLOGO PARA COMBATER O BULLYING

Professor e Psicólogo, Marcos Meier, defende a construção de valores para combater esse fenômeno, cada vez mais praticado nos meios virtuais
“A melhor forma de acompanhar os filhos é ter intimidade, pois o vínculo abre espaço para compartilhar”, orienta o Professor e Psicólogo, Marcos Meier

Dores de cabeça antes de ir à escola, sono agitado, irritabilidade constante e reclamações sem sentido como “odeio aquela professora” ou “não gosto daquela escola”. Segundo o Professor e Psicólogo, Marcos Meier, comportamentos como esses indicam que há algo errado com a criança ou o adolescente, podendo inclusive ser sintomas de que seu filho está sendo alvo de bullying, um tipo de ameaça, de agressão física e psicológica que se repete, na qual sempre há um autor ou autores. Com a crescente utilização das novas tecnologias, esse fenômeno também passou a ser praticado nos meios digitais, denominado cyberbullying.

E-mails, smartphones, blogs, páginas em redes sociais ou qualquer outro meio eletrônico, muitos são os canais que possibilitam o anonimato e acabam tornando ainda mais terrível essa ação, já que a pessoa não tem como se defender. Diante do aumento das chances para a prática do bullying, Meier ressalta a importância de a família firmar uma parceria com a escola. “Ambos têm o mesmo objetivo em relação às crianças, pois querem que aprendam, amadureçam, tenham valores, respeitem as pessoas, não ajam com preconceito etc. Assim, família e escola devem sempre construir vínculos significativos com os alunos e abrir possibilidades para o diálogo.”

O Professor ressalta que, quando há essa cumplicidade, dificilmente uma situação de bullyingsegue adiante. “A melhor forma de acompanhar os filhos é ter intimidade. O vínculo abre espaço para compartilhar, chorar e perguntar sobre a opinião da família ou professores a respeito de uma situação de bullying”, detalha. Segundo Meier, muitas vezes as crianças são apenas testemunhas, não são alvos, nem autoras, e jamais falam nada a ninguém por medo da reação que pode ocorrer. “Se houver canais para que o diálogo aconteça sem medo, os primeiros a falar serão as ‘testemunhas’, que em muitos casos são coautoras sem perceber que o são”, completa.

Ainda, é necessário atentar-se à possibilidade de o seu filho ser o agressor. A criança ou o adolescente começa a demonstrar um grande interesse por violência e posturas preconceituosas em relação aos mais fracos. Em casa, é comum ficar mais agressivo com irmãos. “Sempre que desconfiarem que seu filho possa estar praticando bullying, deve em primeiro lugar conversar com ele e já alertar que conversará com autoridades da escola para saber como isso está sendo trabalhado lá. Não é ameaça, mas um procedimento protetor que evita maiores problemas posteriores. O que não pode acontecer é a negligência, achar que é ‘fase’ ou que ‘meu filho não fez nada de mal’”, orienta.

Agressor ou agredido, a primeira iniciativa deve ser a mesma: conversar com os filhos perguntando sobre o dia a dia, pois os sinais sempre aparecem. “É preciso tomar cuidado para não criminalizar os agressores agindo com eles como se fossem criminosos sem oportunidade de mudança, nem vitimizar a criança alvo como se ela fosse incapaz de se defender ou de reagir perante o sofrimento. São duas posturas que precisam ser combatidas, evitadas”, defende. Enfrentar o problema com serenidade e buscar soluções orientadas cientificamente são as melhores soluções.

Agir impulsivamente pode fazer com que tanto o agressor quanto a vítima recuem e se escondam protegendo-se e, portanto, evitando corrigir o conflito. “Amor e diálogo costumam ser os melhores remédios”, completa.

Especificamente sobre o cyberbullying, o Professor sugere que solicitem à escola uma iniciativa antibullying que envolva o cyberbullying. “Esse projeto deve conter obrigatoriamente ações de formação dos professores, funcionários, alunos e da família. Se faltar um desses, a ação é incompleta e corre o risco de não dar em nada. Um bom começo é uma palestra de sensibilização explicitando a gravidade do problema e apresentando formas de como se faz o combate”, finaliza.


fonte: Família em Rede - Rede Pitágoras



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