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5 de julho de 2018

Cair sozinho é inevitável, levantar sozinho é altamente educativo – Por Ana Macarini


Os tombos! Benditos tombos! Como chegar a algum lugar da vida sem joelhos esfolados; uns galos na cabeça; quem sabe uns ossos partidos e umas costurinhas aqui e ali. Não importa se “os capotes” tenham acontecido na idade das descobertas infantis; no tempo das tempestades de verão adolescente; na fase do desabrochar da vida adulta; nos anos de inúmeros desafios, revezes e conquistas da idade madura; ou ainda, e principalmente, na beleza da maturidade, tempo de reconhecer-se e descobrir novas paixões e novos talentos.

A depender de quando tenhamos ido ao chão, os ferimentos serão mais ou menos graves física ou moralmente. Nossos passos incertos de quando aprendemos a andar, são absolutamente adequados e recebem, com incrível tranquila flexibilidade, as quedas. Faz parte do processo: cair, levantar, cair, levantar… Tantas vezes quanto seja necessário para que nos habituemos a ter os pés no chão e a cabeça erguida lá em cima, com olhos tão interessados nas incontáveis novidades que o mundo tem a nos oferecer. Ninguém aprendeu a andar sem cair. É assim para todo mundo. Não há do que se envergonhar. Na verdade, olhamos com ternura para aqueles que ainda são pequenos, ou já viveram demais, e começam a se aventurar a ficar em pé sobre duas peras incertas e ansiosas.

Nosso fascínio pelo desafio nos faz ignorar o risco da queda e alçar voos bem mais audaciosos. Durante a infância colecionamos um número razoável de encontros com o chão. E com isso, vamos ficando íntimos dele; vamos aprendendo jeitos de nos proteger ou de cair com mais propriedade, se é que isso é possível. Aprendemos a nos equilibrar em duas rodas; em quatro rodinhas menores; sobre lâminas que riscam o gelo; sobre troncos, vigas ou cordas. Alguns de nós descobre uma paixão inexplicável por altura; e toma gosto por se lançar, despencar, tentar voar.

O que talvez, não nos demos conta é que esses quase sempre inocentes acidentes de percurso compõem uma espécie de treinamento para outras quedas, menos impactantes aos olhos do mundo, mas muito mais transformadoras para nós mesmos. Quem de nós terá chegado até esse momento sem experimentar aqueles tombos silenciosos e secretos, nenhuma testemunha. Os tombos morais que levamos sozinhos, sem que haja ninguém para nos socorrer ou julgar são os que mais exercem poder e força para moldar o nosso caráter e definir como e qual será a nossa relação com as situações de sucesso, fracasso ou mediocridade.

Cair sozinho é inevitável, levantar sozinho é altamente educativo. Nos confere a capacidade de aprender a chorar se doer demais; pedir e aceitar ajuda ou abrir mão dela; secar as lágrimas no tempo terapêutico; rir das tragédias inevitáveis; recolher a lição e seguir adiante. A única opção que não temos é desistir de levantar. Pode ser que umas vezes tenhamos de empreender algum esforço mais determinado, obstinado até, para nos mantermos erguidos e escapar de escorregar de volta ao chão. Mas, sejamos vítimas de um arranhão ou de uma fratura exposta, a vida segue urgente e não irá fazer parar os ponteiros do tempo, esperando que arranjemos coragem para nos reerguer. E, dentro de nós, sempre haverá um pequeno messias, uma voz de autoridade amorosa, tecida de nossas inúmeras experiências de gozo ou tristeza que fará brotar em nosso peito a inequívoca decisão de levantar e assumir a vida; porque esperar caído uma solução não é escolha, é abrir mão dela, do direito a ela.

5 de junho de 2018

OMS declarou que o vício em games deverá ser incluído como distúrbio mental – Por Ana Macarini

Tudo começa como uma atividade prazerosa, muitas vezes à qual se recorre para relaxar da rotina, ou escapar de situações da vida real com a qual não se consegue lidar. Cria-se uma vida em paralelo. O jogo é um desafio que se pode enfrentar sem testemunhas para presenciar o erro ou a derrota. Vencer uma etapa, “passar de fase”, passa a ser um objetivo de metas claras. O segredo do sucesso? A experiência. E a experiência pode requerer do indivíduo a sua exclusão das outras atividades da vida. Assim, o que era apenas um passatempo, sobe à categoria de estressor; e no lugar do inicial desejo de fugir da tensão, instala-se o vício; em casos mais graves, a dependência.
Os games on-line ou off-line constituem parte significativa dos dias e noites de nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos. É muito comum observar pais de crianças muito pequenas, oferecerem a estas – a título de entretenimento – sua primeira experiência com as telas. Claro que nenhum pai ou mãe, em sã consciência ou de caso pensado, planeja alienar seu filho do convívio social, ou subtrair-lhe o direito a vivências ricas do mundo real. No entanto, por estarem sobrecarregados ou ocupados demais em dar conta das inúmeras demandas da vida, acabam por recorrer a vídeos e jogos infantis, como recurso para distraí-los, acalmá-los ou estimulá-los. Tornou-se uma cena comum ver adultos encantados com o poder de determinados programas sobre o comportamento de bebês; a criança pode estar no meio de um choro convulsivo, basta ouvir uns acordes daquele “inocente programinha” para cessar o choro e voltar os olhinhos atentos para a tela. Tirando a curiosidade que a cena envolve, basta parar por um segundo e refletir brevemente, para concluir que isso não pode ser normal.
Essa semana, a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou que o vício em games deverá ser incluído como distúrbio mental na próxima edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com Saúde (CID). Neste documento, a condição dos viciados em games entrará como “desordem relacionada a comportamentos viciantes”, cujo diagnóstico segue protocolos muito parecidos com aqueles utilizados para determinar a “dependência por jogos de azar”. Ter o distúrbio incluído na CID é um reconhecimento dos estudos realizados na busca por sintomas para a determinação dos critérios de diagnóstico e, o mais importante, propostas de tratamento — opina a psicóloga Luciana Nunes, fundadora do Instituto Psicoinfo. — E a inclusão no CID é pré-requisito para o atendimento em hospitais públicos e para a cobertura dos planos de saúde.
Não se trata de demonizar o uso de tecnologias. Até mesmo porque esta seria uma postura no mínimo ingênua. Os recursos tecnológicos são uma conquista da humanidade para democratizar o acesso a informação, facilitar pequenas tarefas do dia-a-dia como usar um transporte ou pedir uma refeição. É inegável a contribuição dos computadores, tablets e smartphones na comunicação com qualquer parte do mundo, em qualquer tempo ou lugar. Muitas escolas têm feito dos recursos digitais, aliados dos professores na tarefa de ensinar; há inúmeras plataformas e aplicativos que agregam valor à busca do conhecimento, partilha de informação e resolução de problemas.
Entretanto, não podemos perder de vista que as ferramentas digitais são exatamente o que são: ferramentas. Não podem substituir a interação e conexão sociais necessárias ao desenvolvimento de habilidades humanas; não excluem o papel fundamental dos educadores de promover vínculos com a aprendizagem; não eximem escolas e universidades de sua missão de desafiar, promover debates, construir pensamentos investigativos e reflexivos, e formar indivíduos conscientes de seu papel no mundo.
Máquinas são apenas máquinas. Assim como a lousa não se escreve sozinha, não há plataforma digital, por mais completa que seja, que possa substituir um mestre cônscio de sua intransferível missão. Da mesma forma, não há game, youtuber ou maratona de séries que possam tomar o lugar das experiências do mundo real.
O perigo mora no exagero, na falta de capacidade de traçar limites, na inexperiência diante do risco de ser tragado para um universo virtual e abdicar das vivências necessárias à inserção no mundo de verdade.
Há jovens e crianças que têm mais dificuldade para lidar com os desafios de uma vida em grupos, sejam eles a família ou os amigos. Esses indivíduos são aqueles mais suscetíveis a cair nas armadilhas de sentir-se poderoso e reconhecido por meio de suas habilidades nos jogos. Quando se joga online, por exemplo, cria-se uma falsa impressão de ter amigos, muitos amigos. No entanto, não há relação estabelecida por meio desse contato; há apenas um lugar de adversário momentâneo e parceiro virtual. O jovem pode sentir-se menos solitário num “relacionamento” estabelecido nessas bases: não há conflito, não há julgamento à aparência física, não há necessidade de sair da casca.
A longo prazo, pode-se perder completamente o interesse pelas tão intrincadas relações com o outro, que exigem movimentos emocionais, adaptações, aprender a lidar com o diferente, com o que desafia e com a frustração. Perde-se o desejo de interagir. Cria-se o desejo de se isolar.

Alguns sinais de que o uso dos games pode ser considerado um problema:

• não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame;
• priorizar jogar videogame a outras atividades;
• continuar ou aumentar ainda mais a frequência com que joga videogame, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito;

É claro que não se trata de proibir, erradicar, jogar fora ou nunca permitir a aproximação com o videogame. Trata-se de assumir que esta é mais uma faceta da educação dos pequenos e médios que são da responsabilidade dos pais. Há que se acompanhar, observar e ajudar a encontrar o equilíbrio. E, em caso de se perceber que há prejuízos, tomar atitudes imediatas. É no acompanhamento de cada situação de vida que se educa uma criança, ou um jovem. É por meio do diálogo e da autoridade amorosa que se garante uma relação de afeto e um ambiente seguro para os filhos. Dá trabalho? Lógico que dá! Mas é um trabalho absolutamente digno e intransferível, cuja recompensa é não sofrer dores irreparáveis mais tarde.

3 de maio de 2018

O que leva um adolescente a querer tirar sua própria vida? – Ana Macarini


Recentemente as famílias de um tradicional colégio da cidade de São Paulo foram diretamente atingidas por dois casos de suicídio, num período curto de tempo. Nos dois casos, aqueles que recorreram ao recurso extremo de pôr fim à própria vida, eram adolescentes, estudantes do Ensino Médio.
O luto vivido pelos pais, colegas, familiares, professores e demais funcionários da escola vem inevitavelmente acompanhado de muitas perguntas: Por quê? O que deixamos de perceber? De quem é a culpa? Havia como evitar?
Perder um filho é devastador. Ainda que os pais sejam muito idosos e o filho já seja adulto, ver um filho partir é uma experiência horrivelmente dolorosa para os pais; pois subverte a ordem natural da vida. Então, imagine a intensidade da dor daqueles que perdem seus filhos no ápice da vida; imagine o que é ter de lidar com a ausência de um filho jovem que escolheu não viver mais.
Os amigos, e mesmo os outros jovens que conheciam apenas de vista aquele que cometeu suicídio, veem-se numa situação de desequilíbrio emocional coletivo. Junto da dor, vem a curiosidade inevitável, posto que jovens são curiosos por natureza. E, não, não se trata de um comportamento desrespeitoso ou insensível; é a essência daqueles que ainda estão descobrindo a vida, buscando entender as fissuras dolorosas a que são submetidos.
Muitas vezes, aquele que partiu precocemente recebe do grupo muito mais atenção agora que já não está mais entre eles; passa a ser objeto de interesse; passa a fazer parte do imaginário; passa a ser o assunto mais frequente por muitos dias. No entanto, infelizmente, passado algum tempo, o fato será esquecido e, muitas vezes substituído por “questões mais urgentes” e que requerem a atenção daqueles que ficaram, como o vestibular, por exemplo.
O Ministério da Saúde divulgou recentemente dados alarmantes: o índice de suicídio cresceu no Brasil entre 2011 e 2015, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos; o meio mais utilizado é o enforcamento; 35,8% dos casos estava ligado à depressão, sendo o maior percentual; em segundo lugar, aparecem transtornos decorrentes do uso de substâncias lícitas ou ilícitas. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a presença de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) nas cidades reduz o risco de suicídio em 14%; no entanto, estas instituições só estão presentes em 2463 dos quase 6 mil municípios do país.
A despeito das impactantes estatísticas, o mundo evoluiu em termos de ações para a prevenção ao suicídio. Até a década de 1980, acreditava-se que a divulgação dos casos poderia incentivar a ocorrência de outros, por imitação; sendo assim, era habitual evitar falar sobre o assunto. Entretanto, estudos e aprofundamentos sobre o suicídio, avançaram; hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que PRECISAMOS FALAR SOBRE O ASSUNTO. Sabemos agora que a prevenção passa por um longo processo de pesquisas, desenvolvimento de programas de apoio e aconselhamento e muito diálogo entre todas a partes envolvidas: profissionais de saúde, educadores, familiares e os próprios jovens e crianças, inclusive.
Uma das questões apontada pelos pesquisadores alerta para o atual modelo de educação; estamos criando nossas crianças em bolhas blindadas de proteção; evitamos a todo custo que elas sofram qualquer tipo de aborrecimento ou privação. A consequência é que estas crianças chegam à adolescência precocemente em função do bombardeamento de estímulos externos e de uma cada vez mais prematura explosão hormonal, ao mesmo tempo em que não contam com recursos suficientes para administrar essas mudanças e sem praticamente nenhuma capacidade de lidar com as frustrações.
Junte-se a isso uma quantidade considerável de famílias desestruturadas, mais pais perdidos e com dificuldades para encontrar um equilíbrio entre liberdade e autoridade amorosa, mais uma estrutura educacional despreparada para lidar com esses jovens e crianças. Escolas muitas vezes omissas em relação às inúmeras demandas de seus alunos e não raras vezes sendo protagonistas na defesa de espaços educacionais que priorizam uma avalanche de conteúdos pedagógicos, muita pressão por resultados e nenhuma reflexão.
Não há fórmulas mágicas, não há sequer razões coincidentes entre todos os casos de suicídio. No entanto, a maioria deles tem relação com distúrbios mentais, como depressão e transtornos de ansiedade que podem ser causados por inúmeros elementos estressores, por desequilíbrio químico do cérebro e, também pelo consumo de álcool e drogas. Há ainda os fatores diretamente ligados ao cenário de convívio social dos jovens e crianças que vão desde a falta de atenção familiar à casos de Bullying.
Existe, inclusive, a hipótese de que o uso de alguns antidepressivos possa contribuir para que se instale o desejo suicida. Ainda não há pesquisas suficientes para que se estabeleça um consenso a respeito, mas consta na bula da maioria destes medicamentos que “casos isolados de ideação e comportamento suicidas foram relatados durante o tratamento”. Muitas vezes, o antidepressivo promove num espaço mais curto de tempo a melhora das queixas físicas; para só depois de algumas semanas começar a promover a melhora psíquica, e este descompasso pode fazer com que o paciente, sentindo maior vigor físico, saia da letargia depressiva ainda sem ter os transtornos psicológicos estabilizados.
Aqueles que planejam tirar a própria vida ou que estejam apenas cortejando a ideia não trazem isso escrito na testa, inúmeras vezes, inclusive, suas intenções passam desapercebidas. Porém, há sinais que podem indicar a presença de ideação suicida:

• Oscilações de humor
• Isolamento
• Alterações no sono
• Alterações no apetite
• Irritação ou explosões emocionais
• Queda no rendimento cognitivo
• Desinteresse por atividades que antes eram queridas
• Abuso de bebidas alcoólicas
• Prostração ou agitação excessivas
• Falas disfarçadas de ameaça (ao contrário do que diz o senso comum, quem quer se matar, muitas vezes avisa, sim!)

O assunto é extremamente sério, difícil, complexo e doloroso. E a solução passa por um movimento de ação conjunta de todos os setores da nossa sociedade. A morte prematura desses jovens é problema de todos e de cada um de nós. Que a exposição de suas vidas na mídia não seja apenas “mais um assunto de comoção geral”. Que as suas vidas tão precocemente interrompidas desperte em nossos ânimos uma vontade perene de evitar a todo custo que essa triste história se repita.

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