13 de maio de 2014

Estudante organizado aprende mais


Estudo aponta que alunos com maior nível de disciplina e responsabilidade têm melhor desempenho na escola

Uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro, pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que alunos organizados e com sede de conhecimento apresentam maior nível de aprendizado. Um aluno com nível alto de "conscienciosidade" (organização e responsabilidade), por exemplo, pode apresentar, em Matemática, mais de quatro meses de aprendizado à frente de um estudante que tenha esse parâmetro mais baixo. A pesquisa aborda ainda o impacto das competências socioemocionais, como responsabilidade, autoestima e estabilidade emocional, no aprendizado dos estudantes.

Porém, não são somente esses aspectos que colaboram para o desempenho do estudante. A pesquisa revela também a importância do incentivo dos pais e como esse esforço pode ajudar a superar barreiras socioeconômicas. Neste aspecto, o educador Mozart Neves, diretor de inovação e articulação do IAS, diz que a avaliação concluiu que apenas esse estímulo pode diminuir em mais de 20% a diferença entre alunos com baixa e alta conscienciosidade. "Esse peso é duas vezes maior que a diferença vista nessa habilidade entre ricos e pobres, por exemplo. A escolaridade da mãe - um atributo que apresenta forte ligação com o sucesso acadêmico - tem impacto quase nulo quando se trata da questão socioemocional."

Para o neuropedagogo Pierluigi Piazzi, isso não é uma novidade, mas uma constatação de um método que defende há algumas décadas. "O cérebro é um órgão como outro qualquer, que precisa de horário de alimentação e descanso. Portanto, uma rotina e uma vida organizada só trazem benefícios ao desenvolvimento humano." Conhecido por seu famoso bordão "Aula dada, aula estudada hoje", o professor comenta que o cérebro funciona em um ritmo circadiano, em ciclos de 24 horas. "O dia deve ser dividido em três etapas: aula, estudo solitário e sono reparador. Na aula, é quando vai haver o entendimento. A aprendizagem, contudo, só ocorre no estudo solitário, no momento da revisão do conteúdo do dia e da lição. Já a fixação desse conhecimento, por meio de liberação de enzimas e conexões neurais, será no sono REM, o mais profundo", explica.

Conforme Piazzi, assim como outros órgãos, também há a fadiga ou limite de "alimento". "Não adianta uma escola ter dezenas de aulas no mesmo dia ou o aluno estudar por dez horas. Chega uma hora em que não se assimila mais nada do conteúdo e, como numa espécie de defesa, o cérebro recusa-se a reter o conhecimento por ter atingido sua carga máxima admissional."

Para tanto, Piazzi defende a diminuição de aulas no contraturno para o estímulo ao ensino solitário. "Período integral não deve significar aulas o tempo todo. O estudo solitário é precioso e fundamental, mas muitas crianças não o fazem em casa. É bom salientar que este deve ser feito com o lápis na mão e não com um computador e um teclado na frente", comenta o professor, que destaca ainda que o excesso e o mau uso da tecnologia têm afetado, inclusive, o poder de imaginação das crianças.

Fonte: Folha Web - Marian Trigueiros - Reportagem Local Com Agência Estado

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