11 de novembro de 2014

Perita criminal fala sobre crimes digitais e os perigos na rede para crianças e adolescentes

Aninha não desgruda do celular e curte fazer novos amigos. Outro dia começou uma nova amizade com uma garota da mesma escola onde estuda. A história, que parece comum, só não teve um final feliz porque Aninha tem apenas 11 anos e a “nova amiga” é um perfil falso de um pedófilo.

Casos assim estão se tornando cada vez mais comuns, segundo a Perita Criminal, Francine Matias de Paula, que recentemente fez uma palestra exclusiva para alunos do Fundamental 2 e Ensino Médio no Colégio PGD. Francine atua no Instituto de Criminalística de Londrina, na investigação dos chamados crimes digitais e analisando todo tipo de equipamento eletrônico (como celulares, computadores, tablets, etc.) que tenham sido usados em situações de crime.

Ainda de acordo com a perita, grande parte do conteúdo desses equipamentos apreendidos trazem imagens (em fotos ou vídeos) de crianças e adolescentes. “A ideia de fazer a palestra nas escolas surgiu em Curitiba porque grande é a necessidade de alertar as crianças, adolescentes e pais sobre os perigos que eles correm na rede”, explica.

Veja abaixo a entrevista que a perita cedeu para nossa assessoria de comunicação e que traz informações pertinentes para alertar toda a família.

Como se definem os crimes digitais?
Qualquer conduta ilegal, não ética, ou não autorizada que envolva o processamento automático de dados e/ou transmissão de dados.

Porque aumentaram os índices desses crimes?
O aumento desses crimes se dá devido a diversos fatores, entre eles, os que eu julgo mais relevantes são:
1. A relativa facilidade em cometê-los, já que muitas vezes o criminoso pode consumar o crime de sua própria casa;
2. A falsa sensação de anonimato que a internet proporciona aos usuários, uma vez que na maioria dos casos, dados falsos são utilizados para o cometimento dos delitos;
3. A cooperação da própria vítima, que muitas vezes não reconhece que está sendo enganada e coopera ativamente com o criminoso.

Quais os perigos da internet para as crianças e adolescentes?
Os perigos da internet para as crianças começam quando elas são introduzidas muito cedo na vida digital, muitas vezes não respeitando os limites de idade impostos pelas próprias ferramentas online.
Por exemplo, ao criar uma página no Facebook para uma criança, colocando inclusive fotos dela no perfil, os pais estão abrindo um canal direto entre os filhos e todas as pessoas que usam aquela rede social. Lembrem-se que criminosos também tem acesso a essas redes, e é por elas que eles planejam a maior parte de seus crimes. Os pedófilos, por exemplo, eles se passam por outras crianças, ou até mesmo por personagens infantis, e começam a trocar mensagens com a vítima, conseguindo, por muitas vezes, obter informações valiosas, tais como idade, escola onde estuda, endereço... A partir daí, o abuso pode deixar a vida virtual e se tornar real.
Outro perigo iminente para as crianças são jogos infantis online, onde é possível se comunicar virtualmente com outros jogadores. É muito difícil explicar para uma criança que aquela pessoa que está se passando por um amiguinho durante o jogo, pode ser um adulto mal intencionado. Se os adultos muitas vezes se tornam vítimas de crimes virtuais, mesmo tendo pleno entendimento do que a internet representa, imaginem o perigo que as crianças correm ao serem expostas a esse tipo de ferramenta, sem ter a menor consciência do que é a rede.
Para os adolescentes o maior problema enfrentado hoje é a exposição sexual desenfreada que os envolve, principalmente aquela relacionada ao compartilhamento de imagens pornográficas com a participação de menores de idade.
O que a maioria dos adolescentes não sabe é que o ato da posse e compartilhamento desses arquivos é CRIME de PEDOFILIA. Então, atenção pai, mãe... Se o seu filho/filha tem arquivos dessa natureza gravados na memória do celular ou os compartilhou, mesmo que seja menor de idade, e ainda que os arquivos tenham sido produzidos pela própria vítima, ele/ela está cometendo uma contravenção equiparada ao crime de pedofilia. Alguns juízes do Paraná já tomaram medidas cautelares drásticas na tentativa de inibir esse tipo de crime, como por exemplo, internação em reformatório de menores. Esse tem sido o tema central das minhas palestras, informar aos adolescentes que o que eles estão fazendo diária e levianamente, na verdade é CRIME, e que eles podem comprometer seriamente seus futuros, caso venham a ser investigados e condenados por tal delito.

Como eles podem se prevenir?
Tratando-se das crianças, eu recomendo a proibição do uso da rede. Existem jogos offline que podem ser usados como alternativa para crianças que gostam desse tipo de distração. Caso não seja possível, manter o computador em uma área comum também é uma estratégia válida, já que possibilita que um adulto possa estar sempre supervisionando a utilização da rede. E, caso a criança já tenha celular, não habilitar a internet do mesmo.
Para os adolescentes, infelizmente é um pouco mais complicado; proibir a utilização desses recursos pode causar mais danos do que benefícios, embora, em casos extremos, eu recomende fortemente tal ação.
A única maneira de prevenção para os adolescentes é torná-los capazes de se defenderem sozinhos, e para isso é fundamental o diálogo dentro de casa. Os pais precisam estar engajados nessa missão, e devem orientar os filhos a desconfiarem sempre quando se tratar de internet, checando os perfis de redes sociais, nunca marcando encontros com pessoas que você só conhece pela Internet, etc.
São muitas as orientações a respeito desse tema, e é possível encontrar bastante coisa legal em sites como Safernet - www.safernet.org.br. Quanto mais preparados e informados os pais tiverem, mais o adolescente vai respeitar as suas orientações. Portanto incentivo os pais estudarem sobre o tema, é um esforço que vai ser muito bem recompensado, até porque, nesse caso, as orientações aprendidas, serão uteis até mesmo para eles.

Como deve ser a participação dos pais, na vida digital dos filhos?
Os pais devem estar inteirados da vida virtual dos filhos, afinal são os responsáveis legais, e tudo que eles fizerem utilizando o celular ou o computador, também é responsabilidade deles. Peçam os celulares aos filhos, supervisionem o que andam fazendo, repreenda-os quando necessário. Isso não é invasão de privacidade, é um cuidado essencial, que os perigos virtuais aos quais eles estão expostos nos obrigam a ter.
E ainda insisto com os pais... Por favor, não hajam normalmente quando encontrarem fotos de menores de idade nus/nuas nos celulares dos filhos pensem que eles ainda são adolescentes, estão formando seu caráter, e esse ato é crime. Pode parecer exagero, mas na cabeça deles a mensagem que fica é: "Se eu mostro as fotos para os meus pais, e eles não me repreendem, logo, eu posso cometer crimes".

O agendamento de palestras com a perita criminal em escolas pode ser feito pelo fone 3324-3337
Francine Matias de Paula
Perita Criminal
Polícia Científica do Paraná
Instituto de Criminalística de Londrina

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