15 de abril de 2015

Como impor limites respeitando o filho

"Como educar um filho respeitando-o e, ao mesmo tempo, colocando os necessários limites que a vida impõe? Essas duas coisas não são incompatíveis?" Essa pergunta, de uma leitora assídua desta coluna, chegou em forma de desafio e/ou desabafo.
A queixa dessa mãe tem sua razão: o fato é que a palavra limite, que tanto frequenta as conversas sobre educação ultimamente, tem tido pouco uso e muito abuso, e isso resulta mais em confusões do que em conclusões.
Ora, nada é mais fácil e simples do que dizer que é preciso colocar limites para os filhos, para os alunos. Será que alguém tem dúvidas a esse respeito? Creio que não. Os pais podem divergir em relação à rigidez de certos limites ou à fase em que eles devem ser colocados, por exemplo, mas impor limites é prática comum a todos os que têm filhos e os educam.
O nosso problema é outro: saber como colocar limites de modo consequente, sem se tornar autoritário. Em tempos ditos democráticos, são muitos os que se preocupam em evitar um tipo de educação que não respeite e não reconheça a criança. Pois é justamente essa a questão que nossa leitora coloca em discussão. Mas, logo de cara, é bom ressaltar que só se sente à vontade para exercer esse papel -nem um pouco agradável, por sinal- de estabelecer limites aos filhos -ou aos alunos- quem assume sua responsabilidade de educador.
Que tipo de limite é preciso colocar à criança? Em primeiro lugar, aquele que impede que ela tenha acesso a algo que a prejudica. O que acontece se os pais deixam o filho, entre os dois e cinco anos mais ou menos, subir sozinho uma escada perigosa ou se permitem que esse filho escolha ele mesmo a hora de ir dormir? E que consequências pode provocar o fato de permitir que o filho, no início da adolescência, decida sozinho onde, quando e até que horas pode se divertir com os amigos?
Vamos convir: esses riscos não são proporcionais às idades citadas nos exemplos! Uma criança pequena não vai dar conta de se equilibrar caso resolva experimentar subir a escada. Um adolescente não vai, do mesmo modo, conseguir equilibrar sua voracidade na busca de contato e diversão. Então alguém tem de fazer esse papel enquanto eles não estão prontos para assumir tais responsabilidades. Com base nesses exemplos, podemos concluir que boa parte das proibições que são colocadas aos filhos e alunos são mera proteção a eles.
E a outra parte? Bem, um outro tipo de limite que as crianças recebem é o que se refere aos relacionamentos. Assim que a criança começa a perceber a existência dos outros, ela busca companhia, parceria, convivência. Fazer amizades, conviver no mesmo espaço, compartilhar brincadeiras, por exemplo, são atividades que supõem limites. Afinal, "a liberdade de um termina quando começa a do outro". Não é assim o velho ditado? Para organizar os contatos humanos, existem as regras de convivência. Regras, portanto limites.
Esses dois tipos de limite que a vida impõe podem e devem ser colocados na educação dos filhos -e significam respeito. Respeito ao potencial da criança, à sua etapa de desenvolvimento, ao seu futuro, à sua condição humana.
Desrespeito é levar o filho a acatar as regras pelas regras, e não pelo sentido que elas têm. Desrespeito é responsabilizar a criança por mais que aquilo com que ela pode arcar; desrespeito é não assumir a tarefa de educar.
Colocar limites e respeitar a criança não são coisas incompatíveis. Mas conseguir o equilíbrio entre esses dois elementos é sempre tarefa delicada. Insistir em um limite já superado pelo filho pode ser desrespeito, tanto quanto desistir de manter outro ainda necessário. E, por falar em respeito, como é que anda a dobradinha direito e dever? Esse é um bom papo para a próxima semana, por sinal.

Autora: ROSELY SAYÃO, psicóloga, consultora em educação 

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