6 de novembro de 2015

Livro Londrina Pazeando 2015

O desenho de nossa aluna Maria Fernanda Guazeli Amin (1ªMMA) e o texto do professor Leonardo Cassanho Forster (de Produção de Texto) foram selecionados e publicados na 13ª Coletânea Londrina Pazeando! O tema trabalhado neste ano foi "A importância do diálogo na construção da paz".


A publicação do livro Londrina Pazeando tem como objetivo provocar entre os alunos do município de Londrina, reflexões sobre a importância da Cultura de Paz nos dias atuais. Pretende-se promover, também, através da aquisição de novos conhecimentos sobre a Paz, ações que possam contribuir para o estabelecimento da não-violência na sociedade, construindo assim uma nova geração de cidadãos pacifistas.

Esta coletânea de textos e desenhos é sistematizada anualmente e contempla alunos da Educação Básica da rede pública e privada de ensino, bem como professores, e pais ou responsáveis pelos educandos.

Confira abaixo o desenho e o texto que foram publicados no livro:

Diálogo no Caminho

Na encruzilhada do destino, Sombra e Luz se encontraram. A primeira adiantou-se para apresentar-se:
- Diante dos humanos, sou eu a mais conhecida; pelos ouvidos, bebem-me as pessoas; marco-lhes as peles, firo suas almas. Tentam escarnecer-me com uma ideia inventada, chamam-na Paz. Rio-me! O que é ela, uma pomba? Um dia tranquilo? A morte do inimigo?
- Certa vez, disseram que ela tinha um representante, um homem, o Príncipe da Paz. Pelas mãos de outros homens, preguei-o a uma cruz. Antes, contudo, para ofendê-lo, pela boca de alguns outros, cuspi-lhe na face imaculada. Reinava antes dele; depois dele, continuei soberana. Isso porque os homens sempre provaram amar-me mais e, a mim, para provar seu amor, costumam render-se por inteiro. Fato é que namoram todas as minhas filhas: a Ira, a Cobiça, a Inveja, a Torpeza, a Perversão, a Dor – assim como todos os meus parentes próximos e distantes.
- Os homens odeiam-me quando os oprimo, mas é justamente nesse momento que parecem mais amar-me. Veem-me no espelho; estou neles. Vez ou outra, quando me fitam em seu reflexo, brilham seus olhos. No entanto, envergonham-se de mim e, para esconderem sua realidade íntima, chamam-me de nomes nobres: Competição, Sobrevivência e até Justiça.
- O contrário de mim, a humanidade desconhece, pois, para abandonar-me, é preciso virar-se do avesso e olhar-se do avesso no espelho. É preciso que me extirpem do mundo, extirpando-me de si mesmos. E porque é doloroso cortar a própria carne, convivem comigo...
Após a apresentação retumbante, a Luz, mais humilde, explicou o próprio brilho:
- Eu sou um desejo ainda, que há de, entretanto, realizar-se. Sou tímida no coração dos homens, mas permanente. Quando você se apresenta ufana diante dos olhos dessa pobre humanidade, eu me fortaleço e me revelo em partes. Então os homens vão conhecendo meus irmãos e irmãs. Aqui é a Solidariedade, ali a Compaixão e o Afago, mais adiante a palavra da Consolação e, não muito longe, a sincera Amizade. A Consciência me ama; se compraz em mim a Serenidade. O meu Príncipe, uma vez crucificado, é lembrado em muitos templos e, no templo íntimo de alguns corações, já é amado em Verdade. Não sou uma ideia, fruto de invenção. Sou o futuro, embora esperança ainda. Sou o sono tranquilo e saudável vontade. Sou a Paz, sua irmã, e sei que muitos agora a amam para um dia me entenderem e me amarem mais. Nesse dia, então, desaparecerão todas as encruzilhadas.
Cada uma então seguiu como lhe convinha: uma, a arrastar-se; outra, a deslizar sobre a face das águas...

Leonardo Cassanho Forster, 
Professor de Produção de Texto.

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